Felipe Neto.
Eu já te olhava meio de rabo de olho por causa do seu humor “classe média problems” faz um tempo. Não que tenha algo errado falar de problemas da classe média. Mas se tornou um problema crescente no minuto que você começou a demonstrar seu profundo desprezo pelas classes sociais mais baixas do país. Você não gosta de funk. Nem de axé. Nem de novela. Nem de filme dublado. Você fala inglês fluentemente. A gente entendeu. Mas daí pra você fazer um vídeo no qual “marginalizado social” é um xingamento, tem muito chão. Ninguém escolhe ser pobre, sabe? Ninguém acorda um dia e acha que seria uma grande idéia ter que depender de programas de assistência do governo e ficar na fila do SUS. Mas essa é outra rixa que eu tenho com a sua pessoa. Porque o que você acabou de fazer com essa cambada de tweets, tenho certeza que você nem percebeu. ‘Mulher que vira a bunda pra tirar foto e depois reclama que é tratada como objeto. Why?’
Então, Felipe Neto, você acredita que é JUSTIFICADO tratar uma mulher como objeto se ela faz uma pose sexy para uma foto. Falando isso, você percebe que está dizendo que, baseado em como uma mulher se comporta, tratá-la como algo mais baixo do que um ser humano é um ato justo. Sabe quem pensa assim? Homens que batem em mulheres. Homens que estupram mulheres. Homens que pagam menos às mulheres subordinadas a ele. Homens que realmente tratam mulheres como objetos. Sub-humanas. Não merecedoras de respeito. Não estou dizendo que você é um deles. Mas com os seus vários dígitos de seguidores no twitter, você com certeza deve ser seguido por muitos deles. Em pesquisas realizadas por Margo Maine, relatadas no livro Body Wars, estas foram as estatísticas coletadas:
8% dos homens universitários já tentaram ou foram bem sucedidos em estuprar alguém.
30% admitiram que estuprariam alguém se não houvessem consequências legais.
Quando o termo “estupro” foi substituído por “sexo forçado”, 54% dos homens admitiram que estuprariam.
83.5% dos homens argumentaram que “Algumas mulheres parecem que estão pedindo pra serem estupradas”
1 em cada 6 mulheres (e um em cada 33 homens) serão vítimas de estupro ou de tentativa de estupro durante suas vidas. O que estas estatísticas pavorosas têm a ver com os seus tweets? Sei que pode parecer pouco. Mas pra todos os aproximadamente 80% dos seus seguidores que acreditam que é justificado estuprar uma mulher se ela parecer que está “pedindo” - e isso pode muito bem ser aplicado à mulheres que tiram foto virando o bumbum pra câmera - você acabou de reafirmar esta crença. Para todos os 8% que são estupradores, você acabou de fazer eles se sentirem melhor consigo mesmos.
Enquanto isso, você acabou de fazer muitas das mulheres que te seguem se sentirem menos do que um ser humano. Você disse a elas que o fato de elas exibirem uma parte do corpo é motivo suficiente pra que elas não sejam valorizadas como uma pessoa. As mulheres que reclamaram da sua atitude estão perplexas pela sua falta de respeito. As que concordaram com você provavelmente vivem a vida seguindo as regras de vestimenta - muitas vezes não porque são modestas, mas pra evitar um possível estupro. Enquanto isso, crianças são estupradas, mulheres que usam burcas são estupradas. E estupradores são soltos porquê a vítima estava usando calça jeans. Alguém poderia argumentar que você diria o mesmo de um homem que posta uma foto sem camisa. (Eu espero que você diria o mesmo, isso faria de você um pouco mais razoável). Mas homens que postam foto sem camisa não estão sendo culpados quando são estuprados. Ninguém diz que quando um homem foi abusado sexualmente, ele estava “pedindo” por isso. Você pode colocar o que quiser no twitter. É um direito seu. Mas eu também estou no meu direito de te explicar o que você está fazendo. Quando você, um homem, branco, educado, afirma isso, prova que não tem nenhum conhecimento do que está acontecendo no país. E eu ainda não sei porquê, em sã consciência, um homem escolheria agradar estupradores e espancadores de mulheres ao invés de respeitar mulheres.
Eu me importo demais, assim como amo demais. Eu não sei até que ponto isso é bom e não sei o que as pessoas em volta de mim acham. Às vezes eu penso que sou tão preocupado que chego a ser chato, insuportável, mas é meu jeito, foi a forma pela qual fui criado: me importando. Eu não posso/consigo mudar isso, sabe? E eu torço, torço mesmo, para que as pessoas com quem convivo entendam isso, que elas compreendam que quando entram na minha vida já se tornam parte importante dela, todas elas, sem exceção, nem que seja uma parte mínima de mim, mas fazem parte. Eu fico triste quando a minha preocupação não consegue resolver tudo, porque eu penso que eu posso ouvir um amigo quando ele está com um problema, ou mesmo oferecer um ombro para alguém que precisa chorar, mas quando nada disso é o suficiente quem acaba chorando sou eu. Eu sofro pelos outros, eu choro pelos outros e perco noites de sono pelos outros. Às vezes eu até deixo de fazer coisas importantes porque não consigo parar de pensar na preocupação dos outros. Isso às vezes pode soar estranho, mas esse sou eu: um poço de preocupações (minhas e dos outros). Às vezes eu tento mudar isso porque todos esses problemas acabam me atrapalhando nos meus dias. Seja quem for: amigos, família, colegas ou mesmo quem eu tive um breve contato, eu sempre me preocupo, mas esse meu poço já está enchendo, já está cheio quase até a boca e eu fico me perguntando se alguém percebe isso, porque eu vivo com um sorriso no rosto, vivo tentando alegrar as pessoas que amo que me esqueço que eu também preciso me libertar disso, lançar pra fora tudo isso que já está me sufocando, sinceramente não sei. Mas, agora eu não quero saber, porque tem tanta gente em minha volta precisando de mim que os meus problemas ninguém quer ouvir, nem mesmo eu.
- Anarquismos. (via anarquismos)
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Osso

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às vezes adormecemos
com uma palavra
atravessada na garganta
de um lado a outro
como um estranho osso

às vezes adormecemos
com um vazio
enterrado na garganta
e feito um cavalo cego
cruzamos a noite com assombro

sermos assim
tão pequenos e humanos
tão frágeis e quebradiços
a vida com mil portas
que se abrissem
para lugar nenhum
o abismo tecendo cipós

Roseana Murray

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