No palco, na praça, no circo, num banco de jardim. Correndo no escuro, pichado no muro. Você vai saber de mim.
Dormi sozinha e acordei cantando a nossa canção; canção que só escutei num sonho que eu não lembrei, mas juro havia paixão. Ainda vou me lembrar de cada nota e refrão, só sei que cê tava lá e tudo o que aconteceu fugiu pra outro lugar.
Tem um mendigo deitado na esquina da minha rua
Que tem nos olhos a miséria que o governo não vê
Na sacola rasgada, o lucro do sacrifício de ontem
Junto com o agradecimento por mais um dia de vida
A barba grande e suja, os pés descalços com calos
Uma vida sofrida com as mãos pedintes estendidas.
Até hoje não sei onde ele dorme nas noites de chuva
Nem sei os motivos de suas lamentações contidas
Mas quando deito, escuto de longe, quase como um eco
Um velhinho, chorando, orando a um deus qualquer
Enquanto se desvia dos olhares humanos de piedade
E daqueles que esperam daquele pobre homem no chão
Um gesto de desrespeito, falta de fé ou quiçá maldade.
Tem um mendigo deitado na esquina da minha rua
Abro as cortinas e o vejo fielmente como sentinela
Sei que guarda em seu íntimo as histórias mais belas
Em cada ruga do seu rosto expressivo um segredo
Que só será revelado à aqueles que perderem o medo
Ele está na esquina, eu na janela, o governo o poder
Mas as lágrimas que derramei naquela manhã fria
Quando vi seu sorriso amistoso, eu não pude conter.
Tem um mendigo deitado na esquina da sua rua
Sorrirá para o pobre homem, ou apenas para a lua?
Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril
Se eu tivesse tomado um atalho, uma rua estreita qualquer, que tipo de pessoa eu teria me tornado? Não sei. Mas gostaria muito de saber. Pelo retrovisor, vejo todas as pessoas que eu poderia ter sido e não fui.
Dizem que um dos dois sempre ama mais. Meu Deus, quem dera não fosse eu.
Nenhum segundo a mais no despertador. Nenhum livro novo. Nenhum doce na geladeira. Nenhum sorriso cruzando a rua. Nenhum e-mail. Nenhuma gentileza. Nenhuma mensagem de aniversário. Nenhuma mensagem atrasada de aniversário. Nenhuma piada. Nenhum xingamento. Nenhum elogio. Nenhum barulho de grilo. Nenhum grito de medo. Nenhum acampamento na sala. Nenhuma mensagem no celular. Nenhuma ligação esperada. Nenhuma ligação inesperada. Nenhum aperto de mão sobrando. Nenhum nome faltando. Nenhum pedido atendido. Nenhuma pizza paga. Nenhum drink oferecido. Nenhum sorvete derretido. Nenhuma bochecha corada. Nenhum centavo ganho. Nenhum amor inteiro. Nenhum amor parcelado. Nenhum queixo sujo de brigadeiro. Nenhuma coberta quente. Nenhum sofá com marcas de uso. Nenhum badalar de sinos. Nenhuma nuvem em forma de cavalo no céu. Nenhuma ligação. Nenhum pedido de namoro. Nenhuma escova de dentes fora do pote. Nenhum lápis apontado. Nenhuma sombra. Nenhuma presença. Dias. Noites. Vida. Piloto automático.
Alguém me indica um livro de romance sem ser Nicholas Sparks? Quero um bem lindo de preferencia de fim triste e sem muito nhenhenhem. rs